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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A HORA DO SERTÃO

O Sertão e sua Vez
Aos poucos, a imagem árida do Sertão está mudando e o sertanejo está recuperando a auto-estima com a chegada de obras como a Transnordestina e a transposição do Rio São Francisco. Elas provocaram mudanças na economia e mudaram a realidade de um povo acostumado a viver numa região marcada pela pobreza e sofrimento. 

Em Salgueiro, exatamente no ponto onde as duas obras se cruzam. A construção dos canais que vão levar água do rio São Francisco a quase 400 municípios do nordeste teve início há três anos e meio. Já a estrada de ferro da Transnordestina começou a mudar a região muito antes de ficar pronta.  As mudanças começaram há um ano, quando a construtora se instalou no local.

“O crescimento, esse aquecimento da economia da nossa cidade chama-se prosperidade”, comemora Socorro Borba, dona de um hotel em Salgueiro.

Nas cidades vizinhas, o efeito é o mesmo. “Com certeza é um oásis aqui no Sertão. Essa chegada da transposição e a Transnordestina trouxe um grande avanço para Serra Talhada e região”, lembra o microempresário Elias Félix.

“Tenho boas chances de crescer, sim, até porque desde o dia em que eu cheguei aqui as chances foram aparecendo, as oportunidades foram aparecendo e em meio a tudo isso, no meio dessa multidão, com certeza tenho muitas chances de crescer. É só saber aproveitar a chance”, diz o carpinteiro Thiago Bruno Costa


Os canteiros de obras se multiplicam. Só a Transnordestina já tem 25 espalhados na caatinga. É deles que vai surgir o caminho da exportação do minério de ferro, do gesso e de outros produtos da região, como os agrícolas.

Em dois anos e meio, se não houver imprevisto, todos os trilhos estarão enfileirados. Isso rasgando todo o Sertão. A ferrovia deve se estender por 1.728 quilômetros unindo a caatinga ao mar. A Transnordestina vai ligar a cidade de Eliseu Martins, no Piauí, a dois portos: o de Pecém, no Ceará, e o de Suape, em Pernambuco. 

O trabalho avança, não somente no caminho onde vão passar os trens, mas também na fábrica de dormentes, em Salgueiro. Ela abastece a obra com a produção de 4,8 mil dormentes por dia. Já os trilhos, vêm da China.

As construções no Sertão são importantes para o Governo, diz o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, e dá uma garantia disso.  “A palavra da presidente Dilma. Ela pediu para eu vir aqui para poder assegurar prioridade absoluta, total, ao cronograma de execução das obras da transposição e da Transnordestina”, explica.

TRANSPOSIÇÃO
A transposição do rio São Francisco também tem data para inauguração dos dois canais. O chamado Eixo Leste vai captar água na barragem de Itaparica, no município pernambucano de Floresta, e percorrer 220 quilômetros até o rio Paraíba, deixando pelo caminho água em várias localidades. O Eixo Norte vai fazer a captação perto da cidade de Cabrobó, em Pernambuco. E ao longo de 426 quilômetros vai levar água ao Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba.

“O Eixo Leste vai ficar pronto no final de 2012 e o Eixo Norte vai ficar pronto no final de 2013”, afirma Fernando Bezerra Coelho.

Para o trabalho, as construtoras precisaram contratar quase 20 mil pessoas até agora. E isso mudou radicalmente o mercado de trabalho da região. “A grande dificuldade nossa aqui hoje é ter pessoas qualificadas tanto pra trabalhar com caminhões e máquinas. Como é uma região carente em vários aspectos, pela quantidade de máquinas que a gente trouxe para região, é um dos nossos desafios hoje, que a gente está com um programa de treinamento intensivo pra suprir essa necessidade”, diz o engenheiro mecânico Jacob Rachid.

O trabalho é dia e noite. Cássia Aparecida Figueirede conseguiu vaga no turno que vai até de madrugada como ajudante de apontador. Ficou oito meses desempregada depois que a lanchonete que tinha faliu. “Aqui eu estou prosperando, estou ganhando melhor, estou podendo suprir todas as necessidades. Aqui eu estou podendo ter a chance, como agora eu estou treinando para ser apontadora.”

Cássia convive com muita gente mesmo de Salgueiro, e também com muitos colegas que a empresa trouxe de fora. Entre eles, Alan Costa Queiroz, que veio de Salvador. Para rabalhar como técnico de eletricidade. “Por motivo de crescimento, conhecimento na área profissional, já trabalhava em empresa, exercia outra função, então eu vim para minha área de técnica em elétrica.”

Em Custódia, por onde também passam as obras, o progresso chegou de forma veloz. E mão de obra é difícil de encontrar. Aquele tempo em que o sertanejo precisava arrancar da terra milho e feijão, quando chovesse, não se parece em nada com o que se vive hoje. No restaurante, há dificuldade para contratar garçons.



“Na realidade, houve uma evasão muito grande em termos de empregos locais por conta do advento da transposição e da Transordestina, nós tivemos dificuldades. Custódia já merece ter uma faculdade para otimizar a mão de obra, para facilitar o acesso das pessoas que querem ter uma graduação, porque hoje o que acontece é que as pessoas vão para Serra Talhada, para Arcoverde. Então está na hora de Custódia cuidar da formação das pessoas aqui”, revela a administradora do restaurante Fátima Melo.


A enorme ampliação de vagas de trabalho gerou um movimento inverso ao de décadas passadas. Na mesma estrada que leva para o Sudeste, a diferença é que agora não é mais o nordestino que sai daqui para lá. É gente de fora que vem na direção oposta. O que esse pessoal vem fazer aqui? O mesmo que os nordestinos faziam lá fora. Vem buscar oportunidades.

A engenheira Samira Polastre é um exemplo. Ela veio de São Paulo ao aceitar o convite para trabalhar no Sertão do nordeste e não se arrependeu. “No começo eu fiquei um pouco assustada porque não sabia o que eu ia encontrar por aqui, mas assim que eu cheguei tive uma surpresa muito positiva. Eu me sinto bem. As pessoas aqui são muito receptivas, é uma das coisas que eu mais gostei na região, é a hospitalidade do povo. Então não tem motivo para querer ir embora.”

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